Procurar...

3 de jun. de 2014

Fate

Deus era apenas um menino. Um garotinho sozinho no vazio. Tudo em sua volta não passava de luz, não passava de claridade, não passava de vácuo. Ele queria brincar, estava cansado de fazer nada, era como se estivesse há séculos sentado em uma calçada imaginária apoiando o queixo nas mãos para não deixar a cabeça cair e, enquanto perdido em seus pensamentos, criou o universo acidentalmente. Olhava para todos os lados enquanto coisas brilhantes surgiam ao seu redor, era exatamente como em sua mente e ele não sabia se não passava de pura imaginação. O vasto universo ao seu redor foi modificando-se de acordo com seus sentimentos e sua empolgação, um planeta, um sol, uma nebulosa... Ali uma galáxia, e lá... Um cometa. Foram algumas horas brincando com pontinhos brilhantes, e talvez as horas mais divertidas que o pequenino pudera ter tido até aquele momento. Seus olhos brilhavam imaginando tantas possibilidades, seus lábios alargavam-se em sorrisos que iam e vinham de acordo com cada pensamento que tomava forma bem diante de seus olhos. Ele precisava de mais, algo mais. Sua orquestra começou com sua luz inundando um lugar qualquer no espaço, caindo sobre um pedaço de rocha aleatório como um raio, então algo molhado apareceu, e logo após algo seco. Um novo sol foi posto em órbita, uma grande bola de fogo que viveria por milhares e milhares de anos... Aquilo parecia uma ótima invenção. Para o outro lado do planeta em formação, um satélite em forma de rocha lapidada. Algo para mostrar que há luz na escuridão também. Tudo estava pronto e já não havia o que fazer. O tédio estava de volta à porta. Uma nova ideia passou pela mente do pequeno garoto, dessa vez sem esforço algum tudo se criou. O nome que ele deu àquilo foi vida, e assim ensinou ao primeiro pedacinho de vida que foi criado. A partir dali, outras vidas surgiram, descontroladamente. A vida se multiplicava em tudo que tocava, em todo lugar ela estava. Vidas e mais vidas. O menino perdeu o controle de sua própria imaginação. Ele pensava em alguém como ele, e vários dele eram criados. Para cada vida uma diferente versão dele mesmo. Era quase inacreditável como ele podia imaginar tantas coisas! Ele imaginava novas formas de vida, novos planetas e novos pontos brilhantes. Cada vez mais cometas, cada vez mais sóis, cada vez mais e mais criatividade e inspiração. Sua mente imaginava todo tipo de coisa e antes que piscasse os olhos, lá estava. Tudo estava ficando conturbado, sua mente estava perturbada, então ele sem querer imaginou algo perigoso... E se houvesse alguém exatamente como ele? Ali? Criando cada história que viesse a sua cabeça? Aquele foi o primeiro inventor criado, um inventor mais habilidoso que o próprio criador. Aquele foi o nascimento de um mito chamado Destino, que passou a coexistir com Deus e até que fizeram uma bela dupla. Até hoje, Deus ainda cria, e o Destino... Bom, ele ajeita as coisas. Um grande inventor, suas histórias não deixam pontas soltas. E Deus ainda se pergunta, O Destino realmente existe? Tudo isso existe? Ou eu apenas escolho fazer o que eu quiser, tendo o controle de absolutamente tudo?
Esta, meus caros, é a pergunta que até mesmo o criador faz. E como eu sei? Bem... Ele já perguntou a mim. Chamem-me de Fate.

2 comentários:

  1. Ótimo. Lindo. Daria um ótimo começo para vários contos ou um romance, quem sabe :)
    Beijo

    ResponderExcluir