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31 de mai. de 2014

Ela


Lá estava ela mais um dia. Mais uma semana se passou. O mês estava no fim. Menos um ano de vida. O tempo passava distorcido aos seus olhos, as coisas eram sempre as mesmas, tudo estava sempre igual. Seu hino era o silêncio da casa vazia e dos sentidos embriagados pela falta. Sentia falta de vida, de realidade, de mistérios, de descobertas, de algo e de alguém. Sentia falta de si mesma acima de qualquer coisa.
Lá estava ela, mais uma noite de frente ao espelho. Olhando olhos escuros e sem brilho, procurando, mas nada encontrando. Ela passou pela porta como um furacão, vestida com seu vestido preto - porque preto combinava com seu estado de espírito - e em seu sobretudo cinza. Ligou o carro e dirigiu até um lugar qualquer, não precisava ser um bar, nem um shopping ou qualquer coisa em especial. Então as luzes de um parque de diversões atingiram seus olhos, ela estacionou quase no mesmo instante. Comprou seus ingressos para a roda gigante e um algodão doce, então lembrou-se de quando era apenas uma criança. Enquanto estava lá no alto, algo estranho aconteceu, ela se viu ao lado de sua mãe lá embaixo na barraquinha de maçãs do amor. Ela viu a criança que era acenar e apenas sorriu. Finalmente liberdade, finalmente liberta pelas gaiolas que ela mesmo havia feito. A garotinha sumia enquanto a roda gigante girava lentamente e junto com ela, todo aquele sentimento de angustia e decepção. No fundo, ela sempre esteve feliz, apenas não sabia como encontrar sua felicidade.

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