Me perdi em Wonderland e me achei na terra do nunca. Simples assim, tão lógico quanto uma partida de xadrez entre lhamas africanas usando botas de viet-congues no sul da Austrália. O relógio bateu à meia-noite, mas o som da festa estava muito alto e não pude ouvi-lo, então acabei tropeçando em meus trapos e sendo excomungada da festa antes mesmo de explicar que não roubei ninguém. As pessoas por aqui são até legais as vezes, como por exemplo a família de pássaros que fizeram um ninho aqui na frente, eles vivem cantando... Deviam ser contratados pela broadway. Ok, eu vou tentar fazer sentido quando estiver explicando por que o irreal é sempre mais lógico. Vou tentar mostrar os dois lados da coisa de forma que não confunda sua cabeça e não te faça rir de mim. Talvez eu consiga te ensinar a ver o mundo irreal com os meus olhos, talvez eu crie lentes irrealíticas pra você... Seria um favor sem igual.... Bem, eu vou tentar por na sua mente como as coisas sem sentido são mais lógicas. Como um coelho de cartola, por exemplo, pode fazer mais sentido que um empresário ou um publicitário. Ou como fadinhas e pó mágico podem ser mais úteis que papel com valor ou pedras e minérios lapidados. Mas primeiro, antes de mais tudo e depois de mais nada, quero que feche os olhos... Fechou? Então agora leia o que seu coração lhe envia por cartas a muito tempo. Esqueça o que sua lógica realista diz, esqueça que você é uma pessoa, esqueça seu cérebro por um instante e pense em uma escala universal... O que você é? O que seus problemas são? De que vale papel com valor? Pra que serve aulas de etiqueta?
Hum... Bem, talvez eu não tenha feito muito sentido... Mas quando falamos do universo, da vida e tudo mais, o irreal é sempre mais lógico. Imagine só, se viver como uma insignificante poeira cósmica menor que um átomo e morrer para se juntar ao resquício de um universo submerso em luzes psicodélicas e fumaça radioativa fizesse algum sentido?
Bem, agora se me dão licença, estou indo ver se encontro onde deixei a cartola do meu ornitorrinco falante.
Obrigada pela atenção, até mais!
Procurar...
30 de out. de 2013
29 de out. de 2013
Apenas um texto
Já percebeu como as coisas mudam da noite para o dia? Como se nada tivesse acontecido de uma hora para a outra, ou como se o mundo fosse acabar no instante seguinte, nós mudamos a todo tempo. Talvez seja natural do ser humano, talvez apenas eu seja assim... Não, eu nunca sou a exceção. Há dias bons, dias ruins e dias extremamente ruins, como num ciclo vicioso estamos sempre nos adaptando a cada dia, mudando para não nos esquecermos de quem somos, e isso até pode parecer paradoxo quando paramos para avaliar.
Por uma semana inteira, senti o frio da noite na pele enquanto olhava pela janela do meu antigo quarto no segundo andar de uma casa onde eu já não ia há quase dois anos. A casa dos meus pais parecia assustadora, mas à noite me sentia confortável. Mais ali que em qualquer outro lugar. Foi então que comecei a me questionar sobre algumas coisas da vida, algumas coisas que não são reais mas que fazemos questão sentir, ver, ouvir, coisas que nem sempre são boas, mas nosso sentimento interior humano de querer sentir algo, para saber que está tudo em ordem, nos faz passar.
Esse não é um texto sobre minhas mudanças, nem sobre minha visita aos meus pais. Não é um texto para falar sobre coisas da vida nem para dar lição de moral. Nem sempre um texto precisa ter um fim informativo ou poético, as vezes um texto é só um texto. Assim como acontecimentos, que nem sempre acontecem por um objetivo maior, apenas acontecem. Então no fim eu só queria escrever, afinal, já estava sentindo falta...
21 de out. de 2013
Corda
Há mais coisas entre o céu e a terra que se pode imaginar, há mais coisas entre a vida e a morte que se pensa que há. A linha entre a razão e a loucura é tão fina quando a linha que separa amor e ódio. E nesse cenário é que um menino se encontra, equilibrando-se na corda bamba para não cair aos crocodilos nem aos tubarões. Ele se desequilibrou por um instante, mas logo se lembrou que não podia voar, então voltou a se concentrar em seus passos. Um de cada vez. Sobre a fina linha quase invisível como náilon e instável como o elástico. Ele ainda não havia chegado se quer à metade do caminho. Sentiu os pés vacilarem e esticou os braços para conseguir recobrar o equilíbrio, o vento pareceu um pouco mais forte naquele momento. Mas o vento não pode te derrubar, ele é apenas correnteza de ar. O menino prosseguiu. Com calma, sem pressa. Estivera ali por tempo bastante para descobrir o que acontece se você corre e cai para um dos lados. Ele segue com cuidado, preza mais sua vida que seu tempo. Mas menino, você ainda não percebeu que sua vida tem seu tempo? Menino, você não pode ter medo por todo esse caminho ou nunca sairá do lugar! Ele dá outro passo. Menino você não sabe que quanto mais rápido for, mais rápido aproveitará de sua vida? Ele dá outro passo. Menino você é corajoso ou um covarde como aqueles que deixou para trás? Ele segue por mais alguns passos. E para. Ei, menino, acorda. Ele pisca sem parar. Ei, menino, vamos, atravesse essa corda. Ele dá outro passo, incerto. Menino, acorda! Mais uma vez ele pisca com força os olhinhos assustados. Isso, vamos, estão esperando você do outro lado. Ele dá outro passo, e outro e outro... Acorda, menino... A corda, continue a andar, está quase no fim. Menino, por favor, acorda...
A vida é mais que manter o equilíbrio, é cair, é errar, e não ter medo de viver. A morte é mais fácil, é apenas uma travessia perigosa. Pobre menino, iludido pelos crocodilos e pelo medo de tubarões... Talvez agora ele entenda que viver, é ser lançado aos mais ferozes animais, ser mastigado para aprender onde fica cada pedaço. Mas pobre menino, a corda arrebentou e não pode voltar... Talvez em sua próxima travessia ele seja mais esperto, e escute "acorda" ao invés de "a corda".
19 de out. de 2013
Eu não sei
Andorinhas, mar, sangue, verão, inverno, roupas muitas roupas. Beleza única e rara, mentiras, mortes, bebês. Sentimentos, pensamentos, padrões e todas as cores e diferentes estampas. Pedrinhas, chuva... Chuva... Tempestade, raios, água, fortaleza, histórias, contos, medos... Verdades.
Mas talvez não... Talvez só faça sentido pra mim, talvez só eu sinta, talvez só eu entenda e compreenda. Talvez só eu seja capaz de traduzir sentimentos expostos como palavra desconexas... Logo, penso que não pode ser possível. Nunca há uma única pessoa com um único dom. Alguém mais precisa me ouvir, me entender e me explicar para mim mesma sobre o que se trata ser eu. Eu simplesmente não sei. Eu não sei como me manter coerente, como escrever linhas além de entrelinhas, como ser real ou imaginária. Eu já não sei mais sobre o que falar, e quem souber que entenda meus sentimentos nas palavras.
Apenas suplico, que caso saiba, não guarde para si... Me explique e me faça entender, eu preciso, pois simplesmente eu não sei.
16 de out. de 2013
Escrevendo a alma
Escrevo para mim, e escrevo para quem mais se interessar pelos meus pensamentos. São cantos e encantos de uma alma ferida pelo tempo e cicatrizada pelo seu próprio agressor, mas ainda assim, não é tão interessante. Escrevo pois não falo, escrevo meu mundo para o mundo em que vivo, talvez porque viver seja doloroso e socializar seja um soco no estômago daqueles que pode causar hemorragias e danos irreversíveis. De todo modo, escrevo quem sou para me lembrar, pois no dia-a-dia as coisas são bem diferentes. Ninguém me conhece muito, e ninguém é meu melhor amigo. Que ao contrário do português, me entende muito bem (rs). Todos tem um pouco de mim na verdade, mas nenhuma pessoa percebe o que me roubou. Finjo muitas coisas e finjo muito bem, mas quando me disseco em palavras, nenhuma mentira permito ser transcrita. Quero, pelo menos em algo, ser verdadeira e sincera. Ser direta em palavras é mais fácil, expor minha alma e meu coração se torna quase uma brincadeira. E então, sinto-me compreendida.
São contos e histórias de uma vida real, que nem sempre é uma verdade mas sempre é complicada. É isso o que escrevo. Com certo medo, mas com muita vontade.
Sim, eu descrevo em pequenos ou longos textos quem sou interiormente, quem nenhuma pessoa sabe que existe, e quem as vezes nem eu mesma sei que sou. Talvez seja estranho, mas digo que foi bom explicar isso... Agora até eu entendo.
14 de out. de 2013
Meu mal
O meu mal é, não querer mostrar o rosto. O meu mal é, me esconder do mundo o tempo todo. Meu mal é não me permitir. Meu mal e fingir ser, gostar, sorrir... Meu mal é dizer sempre que talvez. Meu mal é não parar para pensar no que quero. O meu mal é não escolher lados. O meu mal é querer agradar a quem não me agrada. Meu mal é ser assim, meio tudo, nada completo. Meu mal é escrever pouco, ter medo que ninguém esteja lendo. Meu mal é me prender, me torturar com pensamentos e indagações, me fazer de um brinquedo, testar minhas capacidades e por fim, não acreditar. Meu mal é não gostar de mim. Meu mal é querer ir em todas as festas. Meu mal é não fazer o que gosto. É ter remorso. É ser esquisita. É brincar de faz de conta em uma realidade não permissiva nem tolerante a pessoas sonhadoras.
São tantos os meus males, são tantos meus defeitos... Tenho de tudo um pouco, mas nunca nada por inteiro. Talvez eu seja perfeita, perfeitamente errada, mas um dia talvez eu esqueça e resolva ser quem sou. Sem medo. Sem erros. Apenas eu e minha nociva perfeição entre os males e malícias.
12 de out. de 2013
Playlist: The bravery
Bom, essa banda foi uma indicação da Mey e foi uma das boas. Desde a primeira música que ouvi, me apaixonei pelas letras e pelos ritmos contagiantes.
Quero destacar as que mais escuto no dia-a-dia nessas ultimas duas semanas:
Ours
Above and Below
Every word is a knife in my ear
That's it. Espero que gostem tanto quanto eu gostei :)
Quero destacar as que mais escuto no dia-a-dia nessas ultimas duas semanas:
Ours
Time won't let me go
This is not the end
Above and Below
Every word is a knife in my ear
That's it. Espero que gostem tanto quanto eu gostei :)
10 de out. de 2013
Entre histórias e livros
Livros são e sempre serão minha maior paixão. Lembro-me do primeiro livro que li quando ainda não tinha nem 7 anos. Tinha começado a ler há pouco tempo e só estava tentando praticar, foi quando achei aquele livro na estante da minha prima. O título só me chamou atenção por ter meu nome, "Alice" foi tudo que vi escrito na capa do livro, nada mais me importava desde que comecei a lê-lo. Então, conheci a fantástica história de uma garotinha que caíra em um mundo paralelo pela toca de um coelho. Me apaixonei por contos, livros e histórias desde então. Eu sempre achava confusão quando procurava livros.
Com 10 anos li meu primeiro livro "de gente grande". Mais uma fantasia, dessa vez um pouco mais fantástica - na minha opinião. "O Sobrinho do Mago" parte da série "As cronicas de Nárnia" foi o livro que achei na livraria da amiga da minha mãe, caído em um dos corredores, perdido entre tantos outros volumes. Ganhei de presente, e naquele mesmo dia comecei a "devorar" o livro.
Hoje, depois de tanto tempo e tantos outros livros, terminei de lê-lo novamente. E é sobre ele que quero falar.
Antes de mais nada, eu gostaria de dizer o que acho sobre livros e histórias.
Livros nem sempre trazem uma história, as vezes trazem uma informação, um tutorial, uma "forcinha" em algumas áreas específicas. Não deixam de ser valiosos e importantes. Mas não são os livros que nos levam para lugares incríveis, nem são eles quem nos fazem sonhar.
Admiro mesmo as histórias. São elas que por meio de livros nos teletransportam para lugares magníficos e nos fazem sentir pessoas incríveis em aventuras muitas vezes inacreditáveis. Também há aquelas histórias que nos fazem pensar, refletir e entender coisas que nem mesmo a filosofia pode nos ensinar.
Bom, agora falando sobre o livro, ele traz uma dessas histórias. O livro "O Sobrinho do Mago" fala não só sobre amizade e esperança, como também sobre curiosidade e fé.
A história narra a criação de Nárnia e o nosso mundo foi conectado ao de lá.
Digory Kirke (que aparece depois, já mais velho, em "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa") era só um menino. Um menino muito curioso que acaba se metendo em encrencas que não esperava. Claro que um curioso nunca vai sozinho para suas descobertas, Digory arrasta com ele Polly, sua vizinha e mais nova amiga.
Tudo começa com um tio maluco e a necessidade de cobaias e termina com uma grande confusão entre vários universos paralelos.
A história de Digory Kirke, Polly Plummer, Aslam, a Feiticeira Branca, e Nárnia é enrolada, emaranhada e divertidamente explicada, com toques de suspense e até terror (Humor sempre tem né!).
Eu não quero contar mais do que devo, mas a história nos passa muito mais do que achamos ou esperamos de início...
Segue a sinopse:
Com 10 anos li meu primeiro livro "de gente grande". Mais uma fantasia, dessa vez um pouco mais fantástica - na minha opinião. "O Sobrinho do Mago" parte da série "As cronicas de Nárnia" foi o livro que achei na livraria da amiga da minha mãe, caído em um dos corredores, perdido entre tantos outros volumes. Ganhei de presente, e naquele mesmo dia comecei a "devorar" o livro.
Hoje, depois de tanto tempo e tantos outros livros, terminei de lê-lo novamente. E é sobre ele que quero falar.
Antes de mais nada, eu gostaria de dizer o que acho sobre livros e histórias.
Livros nem sempre trazem uma história, as vezes trazem uma informação, um tutorial, uma "forcinha" em algumas áreas específicas. Não deixam de ser valiosos e importantes. Mas não são os livros que nos levam para lugares incríveis, nem são eles quem nos fazem sonhar.
Admiro mesmo as histórias. São elas que por meio de livros nos teletransportam para lugares magníficos e nos fazem sentir pessoas incríveis em aventuras muitas vezes inacreditáveis. Também há aquelas histórias que nos fazem pensar, refletir e entender coisas que nem mesmo a filosofia pode nos ensinar.
Bom, agora falando sobre o livro, ele traz uma dessas histórias. O livro "O Sobrinho do Mago" fala não só sobre amizade e esperança, como também sobre curiosidade e fé.
A história narra a criação de Nárnia e o nosso mundo foi conectado ao de lá.
Digory Kirke (que aparece depois, já mais velho, em "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa") era só um menino. Um menino muito curioso que acaba se metendo em encrencas que não esperava. Claro que um curioso nunca vai sozinho para suas descobertas, Digory arrasta com ele Polly, sua vizinha e mais nova amiga.
Tudo começa com um tio maluco e a necessidade de cobaias e termina com uma grande confusão entre vários universos paralelos.
A história de Digory Kirke, Polly Plummer, Aslam, a Feiticeira Branca, e Nárnia é enrolada, emaranhada e divertidamente explicada, com toques de suspense e até terror (Humor sempre tem né!).
Eu não quero contar mais do que devo, mas a história nos passa muito mais do que achamos ou esperamos de início...
Segue a sinopse:
A aventura começa quando Digory e Polly vão parar no gabinete secreto do excêntrico tio André. Ludibriada por ele, Polly toca o anel mágico e desaparece. Digory, aterrorizado, decide partir imediatamente em busca da amiga no Outro Mundo. Lá ele encontra Polly e, juntos, ouvem Aslam cantar sua canção ao criar o mundo encantado de Nárnia, repleto de sol, árvores, flores, relva e animais.
8 de out. de 2013
Awake
Apenas mais um conto...
Era dia, claro e úmido como quase todos os dias são. O ar era imperceptível, nem me lembrava mais que aquele tipo de gás entrava meus pulmões adentro e saía para retornar no próximo segundo. Talvez eu estivesse tão ocupada nos últimos meses, que mal me lembrava que ainda respirava. E que isso era real.
Mais uma manhã de segunda-feira, mais uma página, duas, três... Ali estava eu mais uma vez.
Levantei por uns instantes apenas para ir pegar mais uma caneca de café. Olhei pela primeira vez em meses para o calendário, mas não me espantei. Não era um lapso temporal, apenas eu tentando deixar a vida passar; até agora, com êxito. Voltei com a caneca de café cheia, e só quando olhei a cama arrumada percebi um fato que escondia de mim mesma há tempos: não fazia ideia de quando fora a ultima noite dormida. Ignorei.
Começando a escrever um novo conto me deparei com um homem alto, de longos cabelos acinzentados e uma espada na cintura. Parecia um homem forte e decidido, dei-lhe o nome de Levi. Nome de meu avô. Em seu rosto um sorriso calmo apareceu e então começamos a conversar.
- Precisamos acabar com este mal de uma vez por todas! - Dizia ele com voz decidida.
- Mas o que está havendo, senhor? - Perguntei eu, desnorteada.
- Algo muito ruim. Uma criatura tem assolado muitos pelas bandas do norte, e descendo para o sul. - Ele informou. Detalhe por detalhe.
Casebres e pessoas foram tomando o lugar de meu quarto, uma vila engoliu minha sala velozmente. Todos clamavam por um salvador. Me vi então vestida em uma armadura, forjada em diamantes brutos e aço do mais resistente. Em minha mão, no lugar de uma caneta, ali estava uma espada pesada e afiada capaz de cortar um homem ao meio.
- Contra o que lutarei? - Perguntei.
Não tinha medo do que quer que fosse, já havia matado dragões e até mesmo necromantes.
- Uma doppellganger. - Disse-me o homem, com um pequeno sorriso no rosto.
Tudo se modificou então, e pela primeira vez pareci perder o controle. O rosto enrugado e o cabelo cinzento se contorciam em minha frente agora, e um novo rosto começava a surgir.
Empunhei a espada.
De repente era uma mulher. Baixinha, meio loira, olhos cor de mel. Eu conhecia aquele nariz alongado e arredondado na ponta... E aquela boca fina e pequena também me era familiar.
- Olá. - Disse a mulher.
Apertei o cabo da espada.
Tudo escurecia ao meu redor e então outras apareceram. Uma com um manto preto, outra com uma roupa de sacerdotisa, outra ainda com uma roupa comum de escolas públicas.
- O que... São vocês? - Minha voz estremeceu.
- Nós? - Diziam em uníssono - Nós somos você. Quando foi a última vez que se olhou no espelho? Quando foi a última vez que saiu? O faz além de matar criaturas lendárias e fantásticas? - Elas pararam e se aproximaram.
Dei um passo atrás, mas meu joelho tremeu... E eu caí.
Apenas uma falou então.
- Há quanto tempo, não come?
Seu rosto mais uma vez se contorcia, e agora uma senhora tomara o lugar da jovem. Uma senhora bem parecida... Uma senhora...
- Que você jamais será.... - Disse a voz em minha mente - Pois hoje, você acaba de perder... Para si mesma.
A doppellganger ergueu a adaga, mas não foi necessário usá-la. Antes mesmo eu já caíra... A dor de cabeça era insuportável... E eu apenas fechei os olhos.
Ao menos, vivi os melhores meses de minha vida.
Era dia, claro e úmido como quase todos os dias são. O ar era imperceptível, nem me lembrava mais que aquele tipo de gás entrava meus pulmões adentro e saía para retornar no próximo segundo. Talvez eu estivesse tão ocupada nos últimos meses, que mal me lembrava que ainda respirava. E que isso era real.
Mais uma manhã de segunda-feira, mais uma página, duas, três... Ali estava eu mais uma vez.
Levantei por uns instantes apenas para ir pegar mais uma caneca de café. Olhei pela primeira vez em meses para o calendário, mas não me espantei. Não era um lapso temporal, apenas eu tentando deixar a vida passar; até agora, com êxito. Voltei com a caneca de café cheia, e só quando olhei a cama arrumada percebi um fato que escondia de mim mesma há tempos: não fazia ideia de quando fora a ultima noite dormida. Ignorei.
Começando a escrever um novo conto me deparei com um homem alto, de longos cabelos acinzentados e uma espada na cintura. Parecia um homem forte e decidido, dei-lhe o nome de Levi. Nome de meu avô. Em seu rosto um sorriso calmo apareceu e então começamos a conversar.
- Precisamos acabar com este mal de uma vez por todas! - Dizia ele com voz decidida.
- Mas o que está havendo, senhor? - Perguntei eu, desnorteada.
- Algo muito ruim. Uma criatura tem assolado muitos pelas bandas do norte, e descendo para o sul. - Ele informou. Detalhe por detalhe.
Casebres e pessoas foram tomando o lugar de meu quarto, uma vila engoliu minha sala velozmente. Todos clamavam por um salvador. Me vi então vestida em uma armadura, forjada em diamantes brutos e aço do mais resistente. Em minha mão, no lugar de uma caneta, ali estava uma espada pesada e afiada capaz de cortar um homem ao meio.
- Contra o que lutarei? - Perguntei.
Não tinha medo do que quer que fosse, já havia matado dragões e até mesmo necromantes.
- Uma doppellganger. - Disse-me o homem, com um pequeno sorriso no rosto.
Tudo se modificou então, e pela primeira vez pareci perder o controle. O rosto enrugado e o cabelo cinzento se contorciam em minha frente agora, e um novo rosto começava a surgir.
Empunhei a espada.
De repente era uma mulher. Baixinha, meio loira, olhos cor de mel. Eu conhecia aquele nariz alongado e arredondado na ponta... E aquela boca fina e pequena também me era familiar.
- Olá. - Disse a mulher.
Apertei o cabo da espada.
Tudo escurecia ao meu redor e então outras apareceram. Uma com um manto preto, outra com uma roupa de sacerdotisa, outra ainda com uma roupa comum de escolas públicas.
- O que... São vocês? - Minha voz estremeceu.
- Nós? - Diziam em uníssono - Nós somos você. Quando foi a última vez que se olhou no espelho? Quando foi a última vez que saiu? O faz além de matar criaturas lendárias e fantásticas? - Elas pararam e se aproximaram.
Dei um passo atrás, mas meu joelho tremeu... E eu caí.
Apenas uma falou então.
- Há quanto tempo, não come?
Seu rosto mais uma vez se contorcia, e agora uma senhora tomara o lugar da jovem. Uma senhora bem parecida... Uma senhora...
- Que você jamais será.... - Disse a voz em minha mente - Pois hoje, você acaba de perder... Para si mesma.
A doppellganger ergueu a adaga, mas não foi necessário usá-la. Antes mesmo eu já caíra... A dor de cabeça era insuportável... E eu apenas fechei os olhos.
Ao menos, vivi os melhores meses de minha vida.
5 de out. de 2013
A outra eu
"Refugio-me na loucura porque não me resta o chamado meio-termo do estado de coisas comum. Quero ver coisas novas – e isso eu só conseguirei se não tiver mais medo da loucura." - Clarice Lispector
Há outra eu que me toma a mente vez ou outra, me diz o que devo fazer e some como surgiu. Há outra eu que não sabe de onde vem nem pra onde vai, mas não se importa com nada além de quem quer ser ou onde quer estar. Há outra eu que não posso controlar, nem o tempo pode mudar e temo que nem os loucos possam entender. Há outra eu que me toma o corpo vez ou outra, me leva onde quer como uma folha ao vento, lança palavras soltas por minha boca, enfeitiça-me com sua força e me quebra como um pote de vidro jogado ao chão. Há outra eu, e não me atrevo a querer controlá-la. Ela não precisa de mim. Admito, porém, o contrário; eu preciso de sua presença, força e coragem. Apenas pelo tempo necessário, nos momentos certos, ela vem e me toma por completo. Faz-me esquecer das regras da sociedade e do poder dos que me cercam alegando a mim que não importa quem sejam, importa quem sou eu. As vezes penso que serei fraca e sumirei, mas talvez a outra eu não me queira longe. Talvez ela não queira ter que assumir a realidade da vida ou ter leis e regras a cumprir... Pois talvez, ela só seja ela por ser a outra, e se fosse eu, eu seria ninguém. Ninguém para a sociedade mas alguém que assim como ela é pra mim, seria um incomodo para ela.
1 de out. de 2013
Querido anjo da guarda...
Olá, faz tempo desde a ultima vez que nos falamos.
Espero que esteja tudo bem com você.
Peço desculpas por não ter tido mais tempo para conversas longas sobre teorias da conspiração e o fim do mundo, confesso que sinto uma falta danada dos dias chuvosos em que costumávamos divagar sobre as possibilidades de o mundo sofrer um novo reboot, recebendo como novos habitantes os mutantes. É difícil encontrar quem quer que seja para confessar meus erros, contar piadas sem graça, inventar histórias mirabolantes e até testar manipulações psicológicas. Sabe, não é qualquer um que aceita ouvir sobre serial killers e fórmulas Hitlerianas. Também não é qualquer um que aceita ouvir sobre as mesmas histórias de vitórias e fracassos todas as noites, mal consigo achar alguém com quem passar todas elas... Seja como for, sinto sua falta.Tem sido complicado, aliás, mais complicado, a cada dia que passa não ter uma base ou apoio para segurar afim de não cair em loop eterno. As coisas parecem estar cada vez mais difíceis, e querendo ou não eu as vezes sou forçada a me negar. As pessoas não são mais as mesmas, elas não se importam como costumavam se importar. Como se agora todos tivessem algo mais importante para fazer... Não consigo deixar de lado esse sentimento de desprezo e fraqueza que me amarra o coração e transparece na face como um mau humor de segunda-feira quente no verão. As viagens não são mais tão especiais, uma vez que já não gosto de deixar minha cama. Sinto tanta vontade de jogar tudo para o alto e viver de contos! Me tornar escritora, inventora, uma louca de manicômio, tanto faz! Apenas esquecer tudo que me prende e me impede de ser eu... Mas acho que a única coisa que me permitia ser livre eu abri mão há tempos, e você sabe que essa coisa era você mesmo, meu querido amigo. As vezes me pergunto se não fui estúpida demais ignorando-te apenas para seguir a pessoas tão fúteis quanto eu. Fui idiota o bastante para trocar a mim mesma por alguém que hoje em dia mal reconheço a sombra ou reflexo...
O tempo é curto e tem pressa, preciso correr para todos os lados se quiser salvar minha vida. Realmente acredito que, apesar de tudo, você não me deixou. Pelo contrário, está bem aqui ao meu lado, lendo cada palavra e rindo de minha falta de noção das coisas - tudo pra você sempre foi tão simples não? Mas acredite meu anjo, sem você as pessoas são bem mais venenosas, os acontecimentos mais fatais e meus pensamentos mais vazios...
Espero que um dia me responda, com uma gargalhada ou uma piada sem sentido, mas me responda.
Obrigada por ler até aqui, e obrigada por me acompanhar, eu sei como sou chata as vezes.
Você é muito importante.
Beijos e abraços,
sua pequena Alice.
Espero que esteja tudo bem com você.
Peço desculpas por não ter tido mais tempo para conversas longas sobre teorias da conspiração e o fim do mundo, confesso que sinto uma falta danada dos dias chuvosos em que costumávamos divagar sobre as possibilidades de o mundo sofrer um novo reboot, recebendo como novos habitantes os mutantes. É difícil encontrar quem quer que seja para confessar meus erros, contar piadas sem graça, inventar histórias mirabolantes e até testar manipulações psicológicas. Sabe, não é qualquer um que aceita ouvir sobre serial killers e fórmulas Hitlerianas. Também não é qualquer um que aceita ouvir sobre as mesmas histórias de vitórias e fracassos todas as noites, mal consigo achar alguém com quem passar todas elas... Seja como for, sinto sua falta.Tem sido complicado, aliás, mais complicado, a cada dia que passa não ter uma base ou apoio para segurar afim de não cair em loop eterno. As coisas parecem estar cada vez mais difíceis, e querendo ou não eu as vezes sou forçada a me negar. As pessoas não são mais as mesmas, elas não se importam como costumavam se importar. Como se agora todos tivessem algo mais importante para fazer... Não consigo deixar de lado esse sentimento de desprezo e fraqueza que me amarra o coração e transparece na face como um mau humor de segunda-feira quente no verão. As viagens não são mais tão especiais, uma vez que já não gosto de deixar minha cama. Sinto tanta vontade de jogar tudo para o alto e viver de contos! Me tornar escritora, inventora, uma louca de manicômio, tanto faz! Apenas esquecer tudo que me prende e me impede de ser eu... Mas acho que a única coisa que me permitia ser livre eu abri mão há tempos, e você sabe que essa coisa era você mesmo, meu querido amigo. As vezes me pergunto se não fui estúpida demais ignorando-te apenas para seguir a pessoas tão fúteis quanto eu. Fui idiota o bastante para trocar a mim mesma por alguém que hoje em dia mal reconheço a sombra ou reflexo...
O tempo é curto e tem pressa, preciso correr para todos os lados se quiser salvar minha vida. Realmente acredito que, apesar de tudo, você não me deixou. Pelo contrário, está bem aqui ao meu lado, lendo cada palavra e rindo de minha falta de noção das coisas - tudo pra você sempre foi tão simples não? Mas acredite meu anjo, sem você as pessoas são bem mais venenosas, os acontecimentos mais fatais e meus pensamentos mais vazios...
Espero que um dia me responda, com uma gargalhada ou uma piada sem sentido, mas me responda.
Obrigada por ler até aqui, e obrigada por me acompanhar, eu sei como sou chata as vezes.
Você é muito importante.
Beijos e abraços,
sua pequena Alice.
Assinar:
Postagens (Atom)





