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26 de set. de 2013

às 15 horas de Sábado


Naquela sexta-feira decidimos viver a vida, acho que um pouco em cima da hora, mas ainda assim decisões são decisões. Acordamos cedo e nos encontramos para tomar café na padaria do Sid. Nunca achei que alguém pudesse tomar um simples café de forma tão estranha, ele me fez rir pela primeira vez no dia. A padaria estava cheia de pessoas estranhas como sempre, não que fossem esquisitas, eu apenas não compreendia a forma como levavam a vida. Ele disse que não eram estranhas, que apenas não sabiam quem eram; e por um momento fez sentido.
O primeiro passeio foi para o campo, lá onde ele brincava quando era uma criança, me contou cada história... Que até tive que me forçar a respirar pra não morrer de tantas risadas. Ele me ensinou o que fazer na casa do Seu Zé, e o que não fazer - nunca - na casa da Dona Giulia. Me mostrou que em certa parte do campo tinha uma linha bem forte no chão, aquele era o que separava o espaço dos meninos do das meninas.
Peguei a corda que levava na mochila e amarrei uma ponta num poste, ele batia a corda e cantava enquanto eu tentava não cair pondo a mão no chão e pulando como se fosse um arame farpado elétrico.
Subimos o morro e sentamos embaixo de uma árvore, conversamos sobre o universo, mas a conversa o deixou um pouco deprimido, então levantei e comecei uma aposta: Quem chegasse lá embaixo primeiro pagava o almoço.
Alugamos bicicletas, corremos que nem loucos, tocamos campainhas e corremos, fingimos ser viajantes do tempo, e então ele me levou para almoçar.
Almoçamos numa lanchonete, e a comida foi um grande hamburguer com uma lata de refrigerante. Todos nos olhavam como se fossemos crianças fazendo alguma arte, mas estávamos apenas tentando viver...
Às 14 horas ele me disse que já estava quase em hora de ir-se. Disse-me que voltaria, mas que agora teríamos que nos apressar. Refizemos nossas malas e voltamos para a rodoviária.
Era três horas da tarde de um sábado e foi apenas ao vê-lo andar em direção àquele ônibus que percebi o quanto me importava. Não corri, nem o abracei, nem gritei que o amava. Apenas sorri e acenei, como uma promessa de que o esperaria e quando voltasse, aí sim, eu diria o quanto me faz bem estar ao seu lado... E que deveríamos nos mudar para Neverland.
O ônibus saiu, e eu fiquei ali mais um pouco. O tempo ainda não passava normalmente... Sentei em qualquer canto e ali esperei. Às 15 horas de um sábado qualquer ele vai voltar como se foi, e então poderemos ser nós mesmos novamente, dessa vez, para o resto da vida.



23 de set. de 2013

Felizes para Sempre


Sim eu sou, sempre fui e sempre serei fã irremediável dos contos de fadas. Não só dos contos da Disney, ou dos irmãos Grimm. Na verdade, sou fã de todo conto que termine com "felizes para sempre". A pequena sentença no final da história me puxa com tanta força que é impossível negar-se a seguir. Impossível negar-se a acreditar, ter fé. Impossível negar-se a querer uma fada madrinha ou príncipe encantado. Não importa quais foram os problemas, quais foram as soluções, quais foram os caminhos, labirintos, monstros, personagens... Apenas o fim. Apenas aquela pequena frase. Não é pelas longas tranças da Rapunzel, nem pela beleza da Branca de Neve. Não é pela sorte da Cinderela, nem pela delicadeza da Bela. Nem pelas vantagens da Aurora ou pela coragem da Mulan. Nem pela curiosidade da Alice, nem mesmo pelos encantos de Ariel. Nada disso me importa, não são as princesas que me fascinam. Não são as histórias que me atraem realmente. Não são os príncipes que me encantam. No fundo, eu não busco filosofia alguma em qualquer conto de fadas, nem lição de moral, nem comparações com a realidade. O que realmente me fascina é como me fazem imaginar, os contos de fadas. Imaginar como conseguiram, como realizaram tal façanha que é ser feliz para sempre. Imagino as coisas que se seguiram, os problemas que podem ter surgido e as soluções que os contornaram. Imagino que ainda pode ser possível encontrar a felicidade, mesmo após estrelar um conto de fadas, mesmo após o fim do show, após as cortinas se fecharem, quando nenhum aplauso ecoa e nenhuma expectativa existe. Imagino como pode ser possível, que ainda assim, se viva feliz para sempre. Depois que se é esquecido, depois que seus fãs te ignoram ou criticam, depois que quem te amava lhe vira as costas. Aí está a real força dos contos de fadas. A real força das princesas. Sim, elas são as mais fortes não importa o tempo que passe, pois apesar de tudo, elas conseguem viver felizes para sempre.

16 de set. de 2013

Por traz das montanhas


Estava eu mais uma vez olhando pela janela do ônibus enquanto viajava de uma ponta a outra do estado, olhava o horizonte ao som de Regina Spektor, lembrava de cada ideal que sempre achei marcante, importante e útil. E então me vi sem mais o que pensar, sem mais o que lembrar, sem mais o que fazer. Já terminara de ler os 4 livros que havia comprado na bienal e me recusava a dormir, então me forcei a não me importar de apenas apreciar a paisagem.
O céu estava claro e tinha poucas nuvens, estava passando por um lugar sem prédios nem muitas casas, sendo assim só me restavam os picos das montanhas que ao longo do caminho estiveram sempre ali como uma fortaleza em torno da cidade... Ou do estado. Foi naquele momento que me lembrei de uma pergunta que recebi por e-mail, a pergunta era "Já parou pra imaginar o que tem por trás das montanhas?" e foi assim que comecei a indagar sobre muitos aspectos e possibilidades. De repente peguei minha imaginação vagando por histórias de elfos e anões, que entravam em aventuras infindáveis atrás de paz ou tesouros, imaginava princesas presas em torres escondidas em florestas, e príncipes em cavalos brancos procurando por sua donzela em perigo. Eu já estava imaginando dragões e antigas civilizações quando me deparo com uma súbita e brusca mudança de ambiente. Não, não viramos em rua alguma, o ambiente mudou apenas em minha mente. Voltei em um segundo para a realidade e passei a imaginar o porque de tão grandes montanhas em nossa volta, talvez os lugares por onde passeamos hoje tenham sido enormes mares antigamente... E talvez em cada montanha longínqua exista um túnel que leve a algum ou aglomerado de casas e prédios que chamamos de cidades. Mas se for assim, eu realmente prefiro ficar com minha fantasia, onde elfos forjam espadas para guerreiros corajosos que combatem dragões e bandidos, talvez eu escreva um conto assim algum dia... Mas por enquanto, apenas continuo imaginando que há salvação para uma sociedade perdida, por além das montanhas.

PS: Está feliz com a resposta mey? =)

14 de set. de 2013

Hoje, agora


O dia que não pode terminar mal, o dia que não vai terminar mal. O dia que teve, tem e terá de tudo para ser inesquecível. O dia que mudará minha vida, o dia que me mudará, o dia em que mudarei meu destino. O dia que começou e que terminará perfeito. O dia em que ninguém me estressa, o dia no qual faço as melhores escolhas, o dia em que nada pode abalar minha fé nem destruir minha autoconfiança. Esse dia meus senhores e senhoras, é hoje. Sempre hoje. Precisa ser hoje. Faço dele o hoje agora, para nunca mais me preocupar com qualquer outro dia.

8 de set. de 2013

Lack


"Cansei de me sentir sozinha. Cansei de tanta mentira. Cansei dos dias iguais, da rotina. Cansei de mim e de me deixar sempre em última opção. Cansei de procurar meus amigos. Cansei de mentir pra mim, pra ver se dói menos. Cansei de me preocupar com quem não se preocupa comigo. Cansei de sofrer e de acordar indisposta, cansei de sentir o coração bater mais forte, com uma sensação de arrependimento, de erro. Cansei de tudo."
- Clarice Lispector


Passo maior parte dos dias do ano sendo eu, me mostrando uma pessoa alegre, alguém sociável com os amigos e romântica com os agregados do coração. Passo horas pensando em formas de contornar os problemas ou simplesmente esmagá-los. Separo um tempo para as contas, um tempo para os estudos, um tempo para o trabalho. Dedico-me em tudo que faço, à todos com quem convivo. Faço piadas e dou gargalhadas, e no fim do dia, aquela foi eu, foram mais algumas das minhas horas, foram alguns dos meus momentos que nunca terão replay. Não me arrependo de quase nenhum, também não sinto falta da maioria. Não fico remoendo a falta de sensibilidade do destino ou a falta de sorte. Mas ainda me corroo. Por cada risada que dei, cada lágrima que derramei, cada um que aconselhei, cada um que amei, cada amigo que ajudei, cada abraço que distribuí, cada música que escutei, cada sentimento que exibi; afinal, aquela foi eu, mas não como quero ser. Ainda há uma falta. Uma falta que não é minha e que por isso ignoro. Uma falta que me faz sofrer silenciosamente, tão silenciosamente que as vezes nem mesmo percebo que estou sofrendo. Falta de atenção, de carinho, de amor de amigo, de compreensão. Eles não me conhecem, e não me compreendem. Falta de tempo, de dinheiro, de roupa, até de maquiagem. Não posso ser eu sem uma câmera que me mostre exatamente como sou, pois o espelho nada mais é que uma miragem. Falta de conversa, de assunto, de leituras, de viagens. Como eu poderia viver sem nada de construtivo para passar adiante? Sem poder passar o que tenho adiante?
São faltas pequenas, mas significativas. Faltas que mesmo que eu seja eu, não me permitem ser quem eu quero ser, quem eu nasci pra ser.
Ah... A falta de entusiasmo... Ah... E a falta de coerência... Também deveria falar das faltas que eu deveria mostrar mais ao invés de esconder?
Acho que no fim, eu devia apenas falar mais de mim...

4 de set. de 2013

Chuva


Eu particularmente amo a chuva. Amo a forma como ela se cria e a forma como se desmancha. Amo os sons que produz e reproduz, o bem que faz e também os estragos que causa. Amo a chuva de um modo... Diferente. Amo-a daquele jeito, que não se baseia em palavras mas sim em não comprar um guarda-chuva. Gosto quando ela cai graciosamente, trazendo frio e fazendo nossas janelas se encherem de vapor. Quando ela se derrama em minha telha fazendo aquele som de pedrinhas batendo em vidro, enquanto eu tomo uma caneca de café e como alguns biscoitinhos que aprendi a fazer nos invernos em que minha avó ainda era viva. Adoro como ela pode se mover, mudar e não se importar... Nem ao menos ser questionada. Seu jeito de seguir o vento sem se importar se está indo para o norte ou sul. Gosto de ver pequenos pedaços seus na grama e nas flores do jardim. Gosto da poça de lama que ela faz também, sempre gostei de brincar nelas. Mas isso tudo apenas no inverno.
No verão ela é ainda melhor, ainda mais significativa, ainda mais graciosa. Se no inverno ela é o tipo persistente, no verão ela é o tipo insana. Daquelas que vem por alguns minutos e logo decidi não vir mais, deixando apenas um arco-iris para mostrar que passou por tal lugar. Amo muito suas pancadas nos finais de tarde, enquanto o céu está alaranjado e podemos ir para a rua ver os raios no horizonte enquanto brincamos de qualquer coisa de criança, pois em chuvas de verão todos se tornam crianças novamente. Gosto dos amores que ela traz, e dos que ela leva. Gosto da forma como ela me limpa e me faz uma nova pessoa. Alguém que não se importa em estar suja de lama, ou com roupas encharcadas, alguém que quer apenas aproveitar o que a vida pode dar de melhor.
Gosto da chuva em todos os seus aspectos, gosto dela em cada estação de uma forma diferente. Posso dizer que a amo desde o dia em que meu pulmão se encheu de ar, afinal, naquele dia ela estava presente. Há alguns 20 outonos atrás... Me saudou com boas vindas, e até hoje é minha melhor amiga.

2 de set. de 2013

Apenas

" Que a vida me traga apenas o que for bom para mim. Que meus amigos sejam apenas aqueles que valem a pena. Que minhas paixões não sejam apenas momentâneas. Que meus amores sejam apenas eternos. Que minha esperança seja suficiente apenas para me guiar até o fim. Que meu mundo seja apenas mais um. Que eu não seja apenas mais uma no mundo. Que tudo seja passageiro, apenas para que nada dure mais que o necessário. E que assim seja. "