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25 de abr. de 2014
A vida de Lira : 25 anos
Os curtos dias da primavera davam um preguiçoso adeus sendo empurrados pelos gloriosos e calorosos dias de verão. Sentei lentamente, o relógio ao lado da cama marcavam 07:00 horas. Me perguntava desde quando a rotina havia me consumido e me transformado naquela pessoa; que iria ao banheiro, tomaria um banho, vestiria qualquer coisa, dirigiria até o trabalho, comeria qualquer besteira na rua, daria "bom dia" "boa tarde" ou "boa noite" sem ao menos olhar nos olhos das pessoas, voltaria no fim do dia para um lugar sem cor e vazio que era confundido com um lar e acordaria no dia seguinte para fazer as mesmas coisas. Perguntava-me desde quando virei esta pessoa amarga, que prefere os ventos gélidos do inverno e não se deixa tocar pelos raios de sol em um crepúsculo que seja no outono. Joguei-me de volta na cama. Algo estava errado... Não, tudo estava errado. Olhei em volta do quarto buscando qualquer expressão de personalidade que fosse em cores, roupas, fotos, quadros. Achei apenas um vaso com girassóis. Algo que não deveria estar ali, pois eu nao me lembrava de tê-lo posto ali. Andando até lá lembrei-me que na noite anterior Jess, minha melhor amiga virtual, disse que entregariam uma encomenda em minha casa. Provavelmente a empregada a trouxera sorrateiramente até o quarto... Pensava enquanto tirava de debaixo do vaso um cartão.
"Que neste verão tudo em você seja como estes girassóis. Que desperte ao nascente, passe o dia sendo iluminada pelo sol, que seja notada em um campo aberto e que encante a vida de quem olhe para as coisas pequenas e singelas da vida. Feliz Aniversário. Beijos, Jess"
Sim... Era meu aniversário... E agora eu havia entendido o que deixara passar todos esses anos sem ao menos perceber.
11 de abr. de 2014
Aceite
Aceite aquilo que eu disse e volte para conversar comigo outra vez. Que seja por apenas um dia, eu não me importo, apenas deixe-me ouvir tua voz uma vez mais. Aceite que estou aqui e que o aceitarei de volta. Aceite que me importo e me preocupo, que alguém sente sua falta, que alguém estará sempre aqui por você. Aceite meu convite e passe por aqui, para tomar um chá ou assistir alguma série. Para contarmos histórias, para rirmos do passado. Aceite meus argumentos, por mais fracos e falhos que sejam, ria de mim e me corrija. Aceite minhas falhas e minhas lágrimas, meus desabafos, meus medos e meus desejos bipolares, ao menos finja aceitar. Aceite uma carta, um livro, um presente... Diga-me teu novo endereço. Aceite-me novamente em tua vida que precisa ser vivida, e revivida de forma bem viva. Aceite meu conselho e não se distancie. Não me deixe jamais. Não escolha tão rápido, mas aceite. Aceite-me. Aceite meu pedido e volte por mim... Pois eu, bem... Acho que nunca aceitarei.
Aceite meu jeito louco, meio bobo, meio sem jeito. Aceite meu carinho, meu abraço, minha mão na tua para acalmar tuas tremedeiras. Aceite nosso destino e nossa ligação, essa forma estranha de nos comunicar que só nós mesmos entendemos. Aceite que eu te sinto, isto é um fato. Aceite que teus disfarces não são bons, e nunca foram; que teu sorriso não é sempre feliz e que apenas eu posso ler tua mente pelos teus olhos. Aceite que não és o único, que somos dois e que dois sempre é melhor que um. Aceite que alguém te queira mais que a própria vida, aceite e volte. Ou pelo menos leve-me junto. Não me peça para aceitar...
Aceite que eu lhe siga, por mais que eu não o faça por completo. Aceite minha coragem, insanidade e insensatez, aceite que foi por você que mudei, que foi por ti que sou o que me tornei e que sempre serei assim pois sei que gostas de como penso e sou. Aceite que eu lhe ajude, que eu te busque, que te dê uma carona ou um guarda-chuva, afinal, esta tempestade não parece passageira... Como aquela daquele dezembro...
Apenas aceite minha dor, meu amor... Apenas aceite, como eu costumava aceitar a ti.
7 de abr. de 2014
Tomada
Então ele se infiltra em sua mente, mente e desmente, te faz crer no que sente. Então ele se torna o filme que você não viu. Se torna o desenho que assistiu no dia anterior. Se torna os sentimentos que vem reprimindo dentro de si. Se torna a insônia. Se torna o medo. Se torna o sorriso. Se torna o desejo. Então você o ouve em uma música, você o vê em um sonho, como uma sombra da realidade ali está ele. Então ele sai de sua mente e se torna sua vida. Ele se faz presente em cada momento. Em cada oportunidade perdida. Em cada tentativa de esquecer lá ele está para rir da improbabilidade. Ele se tornou tudo. Ele é nada. Ele é o que você não pode ter. Ele é o que você mais quer. Ele é a música que toca quando está prestes a dormir, e é a luz do sol que te força a despertar. Ele é o estranho te perseguindo, o espião olhando em sua janela. Ele não é. Mas você quer que seja. E no fim, você percebe que ele é aquilo que menos quis que se tornasse... E você está completamente tomada.
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