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12 de jun. de 2014

Mais um dia


Naquele dia, acordei mais cedo que de costume. Tudo parecia normal, apenas mais um dia qualquer. Ainda na cama, fiquei imaginando planos para o dia por alguns minutos; antes que o dia se tornasse monótono, eu precisava de algo para fazer.
Olhando para o teto e para as paredes to quarto sem decoração, sorri ao lembrar dele. Aquele sorriso contagiante que combinava com seu rosto perfeitamente simétrico. Seus cabelos que dançavam entre meus dedos quando eu os acariciava, e claro... Seus olhos. Ele tinha algo nos olhos que nunca vi em nenhuma outra pessoa. Seus olhos brilhavam e iluminavam minha alma como um holofote daqueles de estádios de futebol. Fiquei algum tempo, imaginando-o em todos os seus detalhes. Imaginando suas mãos grandes, porém macias, que acariciavam meu rosto com um quê de admiração... Algo que eu não entendia. Imaginei seu abraço, que cairia bem naquela manhã cinzenta de inverno. Gostava do calor dele, era algo diferente, era mais humano que o comum.
Levantei por impulso, lembrando que ainda havia algo. Havia uma camisa, uma daquelas sociais surradas que todo homem usa quando está com pressa demais para se vestir tão formalmente. Ela estava lá, jogada em algum canto, esperando que ele a viesse buscar e usar uma vez mais. Ao invés disso, fui eu quem a pegou. Fui eu quem a vesti. Abracei-me na tentativa de sentir seu abraço, e por um instante, jurei que estava certo... Que ele estava bem ali, com um braço me envolvendo a cintura e uma mão afagando meus cabelos. Pisquei os olhos lentamente, e ele sumiu. Não precisei procurar muito, ali mesmo no quarto, em uma mesinha improvisada estava a caneca que eu usava para tomar café todos os dias, a caneca que um dia ele usou. Foi quase como beijá-lo enquanto tomava meu café naquela manhã. Sabia que seus lábios já haviam passado por ali... Eu sorri. Olhei para o calendário e apenas sorri.
Era apenas mais um dia... Com lembranças de outros dias... E com aquele ar incontestável, de dia dos namorados.

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