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21 de dez. de 2014

Já não é para sempre

Já não é para sempre.
Nada é para sempre. Nunca fora e nunca será. 
Soubemos disso por um bom tempo, por um tempo bom. Mas o próprio tempo nos enganou... Por muito tempo. O suficiente para acreditarmos em um "sempre"... Porém ainda é fato que o para sempre, sempre acaba. 
Já não és meu tudo. 
Já não és tudo que preciso, tampouco tudo que tenho.
No fundo, nunca fora. Assim como nunca o fui para ti. Todos temos nossas vidas, todos temos nossas próprias formas de viver, e mesmo estas podem mudar. 
Já não é necessário.
Não há necessidades, não há motivos, há apenas um eco prolongado.
Sabemos que vivemos bem sozinhos, sabemos que temos dois pulmões e um coração cada um. Não há porque desespero, não há razão para ter medo.
Já não somos invencíveis.
Já não acreditamos em força suprema, talvez nem acreditemos mais em força alguma.
Deixamos de lado há tempos aquelas velhas ideias de que poderíamos fazer o que quiséssemos, e que assim poderíamos viver da forma que achássemos melhor.
Já não és único. 
Teus olhos e teu sorriso, tua fala e teus pensamentos, antes tão únicos e diferentes... Agora apenas mais algumas características. 
Também já não tenho aquele encanto nos olhos, aquilo foi trocado por olheiras de noites mal dormidas.
Já não é quase nada...
Não é eterno, não é tudo, não é preciso, não é imbatível, não é único... 
Há meses é apenas uma corda bamba, um pensamento inquieto, um eco entre duas cavernas próximas.
Porém, ainda é inevitável.
Como o sol nasce todos os dias, assim também todos os dias nos lembramos de todas aquelas histórias. Não por querermos, mas por não conseguirmos impedir tais memórias. 
Ainda é interessante.
Olhamos um para o outro como um astrônomo olha o espaço, por mais que nos conheçamos tão bem, parece que nunca nos conheceremos completamente. Há sempre um novo sonho, uma nova mania, novas possibilidades... Sempre a delicada excitação de não saber o que vem a seguir.
Ainda é divertido.
Todas aquelas risadas que surgem com piadas que apenas nós contamos. Aquelas ideias loucas de assaltar bancos ou dominar a galáxia, coisas que só nós entenderíamos.
Ainda é íntimo.
Entre choros e sorrisos, ainda dividimos cada momento, seja bom ou ruim.
Ainda compartilhamos daquela velha conexão que se recusa a sair do ar. 
Ainda é desafiador.
Aquilo que nos moveu desde o início ainda está aqui, cada desafio e obstáculo. E assim como crescemos e amadurecemos, eles também o fizeram. Talvez nunca nos deixem, e ao todo, não é lá uma coisa ruim.
Ainda é real.
Apesar de todas as provocações, estragos, fingimentos e desculpas, ainda é real. Tão real quanto a certeza de estarmos vivos. Tão real quanto todos os outros ainda serem apenas os outros. 
Ainda é amor.
Sim, ainda é amor. 

8 de dez. de 2014

Anjo



 É como se pudesse senti-las, sentir suas asas em volta de mim. Enquanto a noite avança e as horas voam, é como se aqui estivesse você outra vez, me protegendo do bicho-papão e seus amigos das horas mais escuras. Sinto sua respiração de leve, como se tentasse se mostrar de alguma forma bem ao meu lado. Se fecho os olhos, aqui você está, em cada flashback em preto e branco, e em cada lembrança ainda vívida em minha mente. Agarro-me a essa sensação boa que sua presença traz, mesmo que seja apenas minha imaginação, posso até mesmo ouvir seus sussurros que ainda me tranquilizam ao confirmar que tudo está sob controle. Provavelmente, ao acordar, você voltará a ser um de meus demônios, aqueles contra os quais venho tentando lutar dia após dia... Mas por enquanto, gosto assim, gosto que seja meu anjo. 

5 de dez. de 2014

Poeta nu

Sentou para escrever, e apenas vomitou palavras.
Despiu-se de suas ânsias, de seus medos e de suas mágoas.
Vestiu-se em palavras desconexas, sem rima, gramática ou coerência.
Sentiu-se real e sincero, libertou-se da cadeia de seu vocabulário.
Largou de um lado da cadeira o status que tanto importava,
Notou que pra escrever não precisava de algo assim.
Deixou no canto da mesa os desamores e as farsas,
Sentiu-se feliz, apenas por estar feliz...
A felicidade já não lhe fazia sentido, e já não a queria entender.
Tirou da alma o que pôde, tirou do coração o que precisava,
Abriu mão do autocontrole, do estresse e de todo o resto.
Colocou um sorriso nos lábios e ignorou a classificação de estrofes ou de versos.
Inspirou-se a si próprio, sem esperar pela benção da musa.
Expirou onomatopeias, transpirou poemas, suspirou sentimentos. 
Tornou-se criança novamente, e descreveu-se como o poeta nu
Que renasceu de sua própria mente apenas com a grandeza da inocência que desconhecia 
Escreveu como jamais havia escrito, com tal emoção que faria Romeu e Julieta voltarem a vida
então saiu gritando eureca.
Não era o novo gênio do século, tampouco descobrira algo revolucionário...
Apenas sentiu vontade e achou graça
Em correr por aí pelado.