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30 de mar. de 2014

Eles e elas

Existem pessoas que surgem aleatoriamente no mundo, pessoas diferentes de uma forma que ninguém poderia explicar. Grande parte dessas pessoas passam a vida enxergando coisas que nenhuma outra pessoa consegue ver, passam fases da vida fazendo coisas que outras pessoas se recusariam a fazer, pensando e refletindo sobre coisas que os outros apenas fecham os olhos e ouvidos e preferem ignorar. Essas pessoas tão diferentes de todas as outras, ainda que com todos os seus dons e sentimentos bons, tornam-se pessoas sozinhas, aparentemente felizes, porém sombrias. Eles e elas tornam-se frios por refletir demais sobre a vida, por acabar conhecendo mais das pessoas do que gostariam, perdem amizades e confiança muitas vezes apenas por falta de compreensão. Eles e elas tornam-se flexíveis e ainda assim são indomáveis, pessoas que sabem fazer alguém sorrir, mas nunca poderiam ser ajudadas, manipuladoras e nunca manipuladas. Eles e elas são pessoas que surgiram aleatoriamente e tiveram uma vida comum como todas as outras pessoas, mas ainda assim há algo mais. Algo que ninguém ousa colocar sentido. Algo que ninguém entende hoje, nem nunca entenderá. Algo que para alguns pode ser loucura, para outros um ponto de vista. São eles e elas que movem o mundo, e são eles e elas que começarão a nova geração.

25 de mar. de 2014

Peregrina

Ela andava sozinha, ia por onde nunca fora apenas para conhecer lugares onde ninguém jamais iria. Gostava do desafio de continuar caminhando, sentindo o vento das mudanças soprando seus cabelos, a leve brisa tocando seu rosto. Ela não tinha nome, não se preocupava com marcas ou rótulos, gostava que a chamassem por algo bom que vissem nela, era apenas com o que se importava. Nas noites mais frias, pedia abrigo em qualquer lugar: casa, escola, igreja, bar... Qualquer um que pudesse lhe dar de comer e onde ficar. Ela sorria logo cedo, fazia o café da manhã para agradar os hospedeiros e anunciava que voltaria para as ruas, para sua jornada. Por onde ela passava muitos se perguntavam se ela não tinha lar, onde estariam seus pais, por que ela vagava sem parar em lugar nenhum, se tinha amigos, se já amara, se fugia de algo ou de alguém, se fora abandonada ou se está indo a algum lugar. A garota andava e crescia, nunca esclarecendo as dúvidas que ficavam pelo caminho. Estava feliz caminhando, e era isso que queria fazer pelo resto da vida. Porém, não podia andar pela água, muito menos tinha dinheiro para chegar em qualquer outro lugar. Certo dia, desmanchou-se no chão sem aceitar a lágrima que pendia de seu olhar. Tudo que ela queria era encontrar a si mesma e ali estava em uma fronteira sem ter mais onde passar. Ali perto, também ao chão, um rapaz olhava o céu. Parecia perdido, parecia pensativo, parecia triste, estava calado. A garota viu enquanto ele se levantava e aproximava-se do mar. Ficou se perguntando o que estaria fazendo aquele rapaz, não saberia ele que naquela época do ano a correnteza poderia matar? Subitamente ao notar o que estava prestes a acontecer, seu pulmão se encheu de ar e uma vontade imparável a fez gritar para que o rapaz voltasse. Ela correu até ele que agora caído na areia da praia começava a chorar.
- Não. Não faça isso! - A menina falava tentando acalmá-lo.
- Não tenho mais nada a fazer aqui. - Disse o rapaz.
- Muito menos eu. - Ela respondeu.
Naquele momento algo diferente acontecera, e só então ela percebera o que estava acontecendo. Mais uma vez o destino brincava com peças, e dessa vez uma delas era ela, então ela sorriu. Como uma criança que é pega em uma peça.
- Vamos. - Levantou-se puxando a mão do rapaz, disposta a voltar atrás passando por onde houvesse passado e mostrar por que havia ido tão longe e qual seria o resultado.

- The End -