"Refugio-me na loucura porque não me resta o chamado meio-termo do estado de coisas comum. Quero ver coisas novas – e isso eu só conseguirei se não tiver mais medo da loucura." - Clarice Lispector
Há outra eu que me toma a mente vez ou outra, me diz o que devo fazer e some como surgiu. Há outra eu que não sabe de onde vem nem pra onde vai, mas não se importa com nada além de quem quer ser ou onde quer estar. Há outra eu que não posso controlar, nem o tempo pode mudar e temo que nem os loucos possam entender. Há outra eu que me toma o corpo vez ou outra, me leva onde quer como uma folha ao vento, lança palavras soltas por minha boca, enfeitiça-me com sua força e me quebra como um pote de vidro jogado ao chão. Há outra eu, e não me atrevo a querer controlá-la. Ela não precisa de mim. Admito, porém, o contrário; eu preciso de sua presença, força e coragem. Apenas pelo tempo necessário, nos momentos certos, ela vem e me toma por completo. Faz-me esquecer das regras da sociedade e do poder dos que me cercam alegando a mim que não importa quem sejam, importa quem sou eu. As vezes penso que serei fraca e sumirei, mas talvez a outra eu não me queira longe. Talvez ela não queira ter que assumir a realidade da vida ou ter leis e regras a cumprir... Pois talvez, ela só seja ela por ser a outra, e se fosse eu, eu seria ninguém. Ninguém para a sociedade mas alguém que assim como ela é pra mim, seria um incomodo para ela.

Adorei o que escreveu. Não conhecia este texto da Clarice. Normalmente eu vejo os mais românticos dela. Mas é no Tumblr também. Achei bem interessante inclusive a parte que diz "... mas não se importa com nada além de quem quer ser ou onde quer estar.". É um pouco de mim, eu acho, rs
ResponderExcluirBeijos <3
Senhorita Juventude
Obrigada moça :)
ExcluirA Clarice tem muitos textos... Cada um melhor que o outro rsrs
E essa parte que destacou sem dúvidas é algo que todos deviam fazer... eu acho.
há tantas coisas vãs no mundo atual...
beijos!