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21 de out. de 2013

Corda



Há mais coisas entre o céu e a terra que se pode imaginar, há mais coisas entre a vida e a morte que se pensa que há. A linha entre a razão e a loucura é tão fina quando a linha que separa amor e ódio. E nesse cenário é que um menino se encontra, equilibrando-se na corda bamba para não cair aos crocodilos nem aos tubarões. Ele se desequilibrou por um instante, mas logo se lembrou que não podia voar, então voltou a se concentrar em seus passos. Um de cada vez. Sobre a fina linha quase invisível como náilon e instável como o elástico. Ele ainda não havia chegado se quer à metade do caminho. Sentiu os pés vacilarem e esticou os braços para conseguir recobrar o equilíbrio, o vento pareceu um pouco mais forte naquele momento. Mas o vento não pode te derrubar, ele é apenas correnteza de ar. O menino prosseguiu. Com calma, sem pressa. Estivera ali por tempo bastante para descobrir o que acontece se você corre e cai para um dos lados. Ele segue com cuidado, preza mais sua vida que seu tempo. Mas menino, você ainda não percebeu que sua vida tem seu tempo? Menino, você não pode ter medo por todo esse caminho ou nunca sairá do lugar! Ele dá outro passo. Menino você não sabe que quanto mais rápido for, mais rápido aproveitará de sua vida? Ele dá outro passo. Menino você é corajoso ou um covarde como aqueles que deixou para trás? Ele segue por mais alguns passos. E para. Ei, menino, acorda. Ele pisca sem parar. Ei, menino, vamos, atravesse essa corda. Ele dá outro passo, incerto. Menino, acorda! Mais uma vez ele pisca com força os olhinhos assustados. Isso, vamos, estão esperando você do outro lado. Ele dá outro passo, e outro e outro... Acorda, menino... A corda, continue a andar, está quase no fim. Menino, por favor, acorda...
A vida é mais que manter o equilíbrio, é cair, é errar, e não ter medo de viver. A morte é mais fácil, é apenas uma travessia perigosa. Pobre menino, iludido pelos crocodilos e pelo medo de tubarões... Talvez agora ele entenda que viver, é ser lançado aos mais ferozes animais, ser mastigado para aprender onde fica cada pedaço. Mas pobre menino, a corda arrebentou e não pode voltar... Talvez em sua próxima travessia ele seja mais esperto, e escute "acorda" ao invés de "a corda".

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