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3 de set. de 2014

Homesick

Desde os 15 anos tudo que eu mais queria era minha liberdade, queria poder sair sem meus pais ditarem a hora de estar de volta, queria um amigo ou amiga que me acompanhasse em loucuras, queria matar aula (nem que fosse apenas para continuar na escola, pois não tinha nenhum outro lugar para ir), tudo que eu queria era me sentir como uma daquelas personagens de séries e filmes hollywoodianos.
Fui crescendo e a quantidade de besteiras que eu fazia era cada vez maior, eu odiava meus pais por eles me dizerem como era a vida real, eu odiava meu irmão mais velho por ele me dizer "um dia sua ficha cai, cresça". Eu queria apenas jogar na cara de todos que sim, minha vida podia ser como a dos filmes e livros que eu lia. Mas não, ela não podia ser.
Eu sonhava com meu 18 anos, porém aos 18, percebi que enquanto ainda morasse sob o teto dos meus pais eu ainda seria criança. Comecei a trabalhar com a intenção de juntar meu dinheiro e em fim conquistar minha tão sonhada liberdade; e sim, eu consegui! Aos 19 já estava em meu próprio lar. Não era grande, porém era meu. Eu levava quem eu quisesse, saía e chegava na hora que eu bem entendesse, mas faltava algo.
A rotina foi tomando conta aos poucos, estudos, trabalho, contas, amigos indo e vindo, amores mal resolvidos, dores de cabeça... Pela primeira vez, me senti completamente sozinha. Eu estava lá, em um show, cercada por pessoas que eu achava conhecer, com um copo de bebida na mão, e só conseguia me perguntar: Por que?
A resposta era simples, porque essa é a vida real. Essa é a verdade, nós passamos a adolescência querendo nos libertar apenas para nos machucarmos, e quando conseguimos, só quando conseguimos, entendemos que a vida não é e nunca será como planejamos, ela tem vontade própria! A vida é viva!
Então, quando tudo parecia insuportável demais para mim, lá estava meu quarto; na casa que eu tanto desprezava, com as pessoas que eu tanto odiava; bem da forma que eu o havia deixado, esperando por mim. Na cama, meus ursos de pelúcia, alguns livros empoeirados sob a mesa que estava uma bagunça como sempre. Poucas roupas no guarda-roupa. E além de tudo, muita nostalgia.
Então, aqui estou eu, prendendo-me com força ao que um dia quis afastar. Afinal, percebi que é isso que todos queremos: liberdade sem responsabilidades. Porém não é isso que a vida e o mundo tem a nos oferecer.
Não me arrependo de ter vivido as novelas mexicanas que vivi, ou de ter bancado a filha pródiga... Apenas aconselho a quem quer que seja, que se quiser errar, erre... Com consciência das consequências.

7 comentários:

  1. Talvez a mais bela peça escrita que já sobre o assunto mais velho do mundo. Mas você o fez fresco como a brisa do mar...

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    1. Obrigada Luis! Seu comentário alegrou meu dia :)
      É apenas uma reflexão sobre a atual geração de adolescentes tão inconsequentes quanto eu fui um dia, rs
      bjs,
      Alice.

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  2. Alice, vim agradecer seu comentário no meu blog e dizer que adorei suas reflexão. Passei o mesmo que você, eu queria porque queria ficar longe da minha família, mas no fim das contas percebi que o problema era comigo e não com eles, eu era quem deveria mudar, e a vida jamais seria do jeito que eu imaginava, a vida é como uma dança, uma hora você guia, outra hora ela te guia... Hoje eu sou casada e conseguir construir um relacionamento muito bom com a minha família, mas eu tive que aceitar a realidade! Amei o jeito que você escreve!

    http://gotinhasesperanca.blogspot.com.br

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    1. Obrigada Michele :)
      Eu concordo com você, a vida é mesmo uma dança. Além de aceitarmos o ritmo, muitas vezes também temos que aceitar a música que está sendo tocada... Isso é difícil as vezes, mas um dia, todos aprendemos.
      bjs,
      Alice

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  3. Lindo texto.
    Muito mesmo.
    Sentia isso na adolescência. Que atire a primeira pedra quem acha que a vida era como "Curtindo a Vida Adoidado" ou que a faculdade tivesse algo haver com "American Pie". Ainda não consegui sair de casa, mas depois dos 18 minha liberdade aumentou consideravelmente. Pude ir em lugares que era impedido, conhecer pessoas que eu era impedido, ver coisas que eu era impedido. E a maioria hoje já não me apetece.
    A maioria das coisas que nossos pais dizem, sim, é verdade. Não é legal.
    Mas ainda quero meu canto, onde eu possa começar uma vida mais solo.
    Lindo texto. Espero, de coração, que tudo mude e melhore.
    Beijos.

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    1. Obrigada Guilherme :)
      É parece que só após os 18 a gente começa a "cair na real" rsrs
      Ter sua própria casa é bom, muito bom...
      Só é ruim ter que cozinhar pra comer sozinho... rs
      bjs
      Alice

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