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5 de dez. de 2014

Poeta nu

Sentou para escrever, e apenas vomitou palavras.
Despiu-se de suas ânsias, de seus medos e de suas mágoas.
Vestiu-se em palavras desconexas, sem rima, gramática ou coerência.
Sentiu-se real e sincero, libertou-se da cadeia de seu vocabulário.
Largou de um lado da cadeira o status que tanto importava,
Notou que pra escrever não precisava de algo assim.
Deixou no canto da mesa os desamores e as farsas,
Sentiu-se feliz, apenas por estar feliz...
A felicidade já não lhe fazia sentido, e já não a queria entender.
Tirou da alma o que pôde, tirou do coração o que precisava,
Abriu mão do autocontrole, do estresse e de todo o resto.
Colocou um sorriso nos lábios e ignorou a classificação de estrofes ou de versos.
Inspirou-se a si próprio, sem esperar pela benção da musa.
Expirou onomatopeias, transpirou poemas, suspirou sentimentos. 
Tornou-se criança novamente, e descreveu-se como o poeta nu
Que renasceu de sua própria mente apenas com a grandeza da inocência que desconhecia 
Escreveu como jamais havia escrito, com tal emoção que faria Romeu e Julieta voltarem a vida
então saiu gritando eureca.
Não era o novo gênio do século, tampouco descobrira algo revolucionário...
Apenas sentiu vontade e achou graça
Em correr por aí pelado.

2 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
    Adorei. Parece um pouco comigo quando escrevo (Mas não saio correndo pelado por ai :p )

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