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25 de mar. de 2014

Peregrina

Ela andava sozinha, ia por onde nunca fora apenas para conhecer lugares onde ninguém jamais iria. Gostava do desafio de continuar caminhando, sentindo o vento das mudanças soprando seus cabelos, a leve brisa tocando seu rosto. Ela não tinha nome, não se preocupava com marcas ou rótulos, gostava que a chamassem por algo bom que vissem nela, era apenas com o que se importava. Nas noites mais frias, pedia abrigo em qualquer lugar: casa, escola, igreja, bar... Qualquer um que pudesse lhe dar de comer e onde ficar. Ela sorria logo cedo, fazia o café da manhã para agradar os hospedeiros e anunciava que voltaria para as ruas, para sua jornada. Por onde ela passava muitos se perguntavam se ela não tinha lar, onde estariam seus pais, por que ela vagava sem parar em lugar nenhum, se tinha amigos, se já amara, se fugia de algo ou de alguém, se fora abandonada ou se está indo a algum lugar. A garota andava e crescia, nunca esclarecendo as dúvidas que ficavam pelo caminho. Estava feliz caminhando, e era isso que queria fazer pelo resto da vida. Porém, não podia andar pela água, muito menos tinha dinheiro para chegar em qualquer outro lugar. Certo dia, desmanchou-se no chão sem aceitar a lágrima que pendia de seu olhar. Tudo que ela queria era encontrar a si mesma e ali estava em uma fronteira sem ter mais onde passar. Ali perto, também ao chão, um rapaz olhava o céu. Parecia perdido, parecia pensativo, parecia triste, estava calado. A garota viu enquanto ele se levantava e aproximava-se do mar. Ficou se perguntando o que estaria fazendo aquele rapaz, não saberia ele que naquela época do ano a correnteza poderia matar? Subitamente ao notar o que estava prestes a acontecer, seu pulmão se encheu de ar e uma vontade imparável a fez gritar para que o rapaz voltasse. Ela correu até ele que agora caído na areia da praia começava a chorar.
- Não. Não faça isso! - A menina falava tentando acalmá-lo.
- Não tenho mais nada a fazer aqui. - Disse o rapaz.
- Muito menos eu. - Ela respondeu.
Naquele momento algo diferente acontecera, e só então ela percebera o que estava acontecendo. Mais uma vez o destino brincava com peças, e dessa vez uma delas era ela, então ela sorriu. Como uma criança que é pega em uma peça.
- Vamos. - Levantou-se puxando a mão do rapaz, disposta a voltar atrás passando por onde houvesse passado e mostrar por que havia ido tão longe e qual seria o resultado.

- The End -

2 comentários:

  1. Lindíssimo, nunca tenho palavras pra descrever a imensidão do seu talento, um beijo.

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    Respostas
    1. Obrigada Hadassa!
      Não sabe como esse carinho me deixa feliz!!
      um beijo.

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